As cordas que controlam nossa vida

Se você perguntar para a grande maioria das pessoas sobre qual é o papel do insconciente na vida delas, provavelmente elas dirão que o inconsciente não tem muita influência na tomada de decisões e que elas são livres para escolher exatamente o que elas desejam. Mas será mesmo?

Quem foi Schopenhauer

Arthur Schopenhauer (1788 -1960) foi um filósofo alemão que tinha como fonte principal de sua filosofia o conceito chamado de Vontade. A Vontade, de acordo com Schopenhauer, era o desejo de sobrevivência que existia em todas as espécies, includindo o ser humano. Essa Vontade fazia com que todas as espécies lutassem pela sobrevivência e reprodução.

É interessante notar que essa teoria se assemelha de uma certa forma ao que será conhecido posteriormente como Evolução das Espécies de Charles Darwin.

Schopenhauer foi o primeiro filósofo ocidental a considerar a filosofia oriental como uma filosofia de vida e não somente atrelada ao fundo religioso. Podemos encontrar conceitos do budismo, hinduísmo, yoga, vedanta na filosofia de Schopenhauer. Esses conceitos das filosofias orientais harmonizam muito bem com o pensamento do nosso filósofo.

Além do conceito de Vontade, Schopenhauer também foi o primeiro filósofo a dar evidência no papel do inconsciente na vida do ser humano. Ele dizia que esse desejo que o ser humano sente, é o que temos de mais viceral e real da nossa natureza. Por mais que sejamos racionais, no final das contas, é a Vontade, manifestada pelo insconciente, quem reina.

 

O Inconsciente

O inconsciente pode ser definido como a parte da sua mente da qual você não tem acesso direto ou não está ciente do seu funcionamento. Suponhamos que você entre em uma loja para comprar algum presente. Sem que você esteja atento a isso, sua mente faz um scan por todo o ambiente e começa a olhar objetos que por ventura possam lhe interessar. Sua mente vai analisar a posição dos objetos, a luz e a música do ambiente, a temperatura da sala e até mesmo a forma como o vendedor vai lhe apresentar o objeto.

Provavelmente você não se dará conta desses processos, e de tantos outros, nesse momento. Mas você sentirá a vontade de comprar ou não.

O inconciente é a máquinaria atrás das nossas decisões. O insconciente tem uma predominância em nossas ações muito maior do que podemos imaginar. Um exemplo disso é que muitas vezes tomamos uma ação e somente depois tentamos justificar racionamente o motivo de termos decidido entre isso ou aquilo.

O inconsciente vai montando nossa mente de dentro para fora, fazendo com que nossas decisões vão se tornando cada vez mais automáticas e involuntárias.

Por isso é importante que você aprenda a observar sua mente, dessa forma você poderá conhecer melhor a maquinaría que existe no plano de fundo de cada decisão que você toma, seja ela na escolha de uma pessoa para você se relacionar ou até mesmo na escolha do cardápio de almoço.

É comum encontrar por ai pessoas que dirão que o insconciente decide tudo por nós e que de uma certa forma ele não é parte de nós. Isso é um equívoco. O inconsciente faz parte de você, ele só não está facilmente acessível. Através da mudança do seus hábitos você começa a reconfigurar as decisões tomadas pelo seu inconsciente e quando você menos esperar, você estará decidindo por uma alimentação mais saudável, escolhas muito mais conscientes e construtivas.

Dê voz ao seu interior

Como eu disse acima, nosso inconsciente não é ruim em si ou deve ser considerado como algo exterior a quem nós realmente somos. O inconsciente é o reino da mente que normalmente nós não o vemos mas que pode ser trabalhado através da mudança dos nossos hábitos.

Tento isso em mente, comece a observar quais são seus impulsos e desejos mais frequentes. O que te move?

Ao tentar responder a essas perguntas, você notará que você usa sua racionalidade para iniciar um processo de conhecimento de esferas muito mais profundas do seu ser. A terra oculta do inconsciente pode ser iluminada através de uma reflexão calma, sincera e profunda.

Seu insconciente não é o seu inimigo e não tem intenção de lhe fazer mal. Muito pelo contrário, seu inconsciente é uma parte de você mesmo que lhe ajuda a sobreviver, buscar felicidade e tomar decisões que não necessitam sua atenção o tempo todo.

Permita que seu inconsciente fale com você e fique atento aos sinais. Um bom exemplo disso é capacidade de se lembrar dos sonhos. Claro que não vamos ficar tentando interpretar os sonhos, dando significados culturais genéricos para esse ou aquele elemento. Porém, os sonhos é um ótimo indicativo do que acontece na sua mente e que talvez você não esteja atento.

Os sonhos são uma excelente oportunidade para você conhecer a maquinaria do inconsciente.

 

A realidade vale mais que mil palavras

Schopenhauer também é notavelmente conhecido pelo seu pessimismo. Eu gosto sempre de dizer que ele não é um daqueles pessimistas chatos que gostam de falar mal de tudo apenas para se sentirem superiores. Vejo Schopenhauer como um filósofo que procura ver a crua realidade dos fatos. Ou pelo menos o que na visão dele seria a realidade.

Schopenhauer é um filósofo que trará as várias facetas da vida, e muitas delas não tão coloridas e agradáveis, como estamos acostumados a ver.

Em um mundo onde coisas se tornam cada vez mais superfíciais, Schopenhauer aparece como uma força da natureza que busca a realidade dos fatos de maneira mais intensa a simplesmente palavras bonitas para agradar o ego o ser humano.

Uma coisa é fato, sempre que ignorarmos a natureza, ela nos cobrará. Não importa o quanto desejamos que a realidade seja alternativa, ela sempre se manifestará como ela é e nós precisamos aprender a conviver com isso.

A realidade não precisa ser tão dura, como Schopenhauer as vezes descreve. Mas ela pode ser enriquecedora e de um grande aprendizado. A realidade não é chata, entediante ou sem brilho, muito pelo contrário, a realidade é aquilo que se tem e é o nosso porto seguro. Somente no momento que aprendemos a reconhecer a realidade e as nossas limitações é que somos capazes de promover transformações profundas na nossa vida.

Você tem duas opções, continuar fantasiando sobre as transformações que você precisa fazer na sua vida, mas que sempre criar uma história ou outra para não fazê-la, ou você pode encarar a realidade como ela é e a partir disso traçar estratégias para iniciar sua jornada da mudança de hábitos. Essa escolha está totalmente em suas mãos.

Ser pessimista, não é desejar que algo ruim aconteça o tempo todo mas que estamos cientes de que a vida é dura, desafiadora e impresivível, e sabendo disso, o que vamos fazer?

A resposta está no quão corajoso você é diante da vida. Só depende de você.